'Lion - Uma Jornada Para Casa' e os nós na minha cabeça e garganta

23.6.17

Se você leu este post aqui já sabe que aqui em casa tava uma onda de filmes indianos. Tudo o que a gente ia assistir na Netflix era alguma coisa relacionada à Índia. Tudo.

Aí que de um tempo pra cá o Duca segurou a onda indiana e quase nem temos mais assistido Netflix, só vídeos no youtube mesmo. Mas eis que dia desses ele viajou numa quinta-feira e só voltaria no domingo. E quando fico muitos dias assim sozinha eu procuro assistir séries e filmes pra passar o tempo. Aí estava olhando o tuiter e vi uma menina pedindo indicação de filmes. Várias pessoas responderam pra ela e entre as respostas tinha mais de uma pessoa indicando o filme "Lion - Uma jornada para casa".


O nome me chamou a atenção, procurei na Netflix e quando comecei a ler a sinopse eu ri sozinha: o filme conta a história de um indiano!!! Lá vem mais um filme sobre a Índia.

Mas dei play porque a sinpse me chamou muito a atenção e as recomendações no post da menina no tuiter falavam muito bem desse filme.

É um filme recente, lançado em fevereiro desse ano, conta com a atriz Nicole Kidman e é baseado em fatos reais. Pronto! Quer me deixar curiosa com um filme só dizer que ele é baseado em fatos reais. Foi o que me fez dar o play imediatamente.

E o filme é tão tão impactante que quando o Duca chegou eu insisti muito para que ele assistisse logo pra gente poder conversar sobre, porque eu queria falar das cenas e da história, mas ele ainda não tinha visto e eu não queria dar spoilers... Ele assistiu. E teve o mesmo sentimento que eu: que filme sensacional! Forte. Intenso. Bonito.

LION - UMA JORNADA PARA CASA

Não quero aqui dar nenhum spoiler, então vou me ater bem à sinopse: o indiano Saroo se perde do irmão, aos cinco anos de idade, numa estação de trem em Calcutá. Ele enfrenta muitos desafios pra sobreviver sozinho perdido até ser adotado por uma família australiana. Aos 25 anos de idade, atormentado pelas lembranças e por imaginar que sua mãe biológica e seu irmão passaram a vida toda o procurando, decidiu encontrar sua família biológica.

Por que eu fiquei tão tocada com o filme?
Ele fala sobre diferenças sociais, pobreza, crianças em situação de rua, o instinto de sobrevivência, adoção, amor, família... Ele fala de uma história real.


O ator que interpreta Saroo quando criança mexeu tanto comigo que se eu vejo esse menininho já tenho vontade de chorar. Pessoas e, principalmente, crianças em situação de rua mexem muito comigo. Eu fico imaginando a história de vida da pessoa, tudo o que ela já passou, viveu e enfrentou. É um assunto bem pesado pra mim e o filme mostra isso de forma muito sensível.

Uma das partes que mais me marcou no filme é a cena em que a mãe adotiva conta o porquê adotou ele e outra criança. E isso deu um nó tão grande na minha cabeça... Eu sempre gostei do tema adoção e sempre achei um ato bonito e de muita coragem. Depois de assistir essa cena, comecei a chorar muito pensando que ter filhos, às vezes, chega a ser uma atitude de egoísmo nossa. A gente tem filhos para satisfazer nossas vontades e realizações pessoais. Não temos filhos com o intuito de deixar o mundo melhor. A gente nem pensa nisso.

Agora adotar... adotar é um ato pensado no próximo. Adotar é dar uma oportunidade de vida pra alguém que não tem muitas perspectivas. É tentar minimizar, nem que seja um pouquinho só, a situação do mundo. Tantas crianças abandonadas, sem pai, mãe, sem lar... Adotar é entender que o mundo já tem gente demais e não precisamos exatamente colocar mais gente aqui, podemos mudar a sorte de quem já vive.

Eu quero engravidar e ter filho sim, mas quero por quê? Pela experiência de vida que é ser mãe. Quero pela experiência de gerar uma vida. De ter um ser gerado dentro de mim. Eu nunca pensei que quero ser mãe pra gerar um ser humaninho que pode deixar o mundo melhor. Talvez o meu mundo, sim. Mas o mundo geral, no coletivo mesmo, não.


Minha cabeça ainda está a mil e tenho vontade de chorar pensando nisso. Um nózinho na minha garganta aperta e meus olhos marejam... E por que eu não adoto uma criança? Por que eu não mudo uma história? Por que há tanta questão ao redor da adoção? Por que de tanto medo?

Eu não sei o que pode ser daqui uns anos. Pode ser que eu engravide e esqueça isso de adoção. Pode ser que não. Eu sei que hoje, agora, isso me atormenta muito. Imaginar tantas crianças jogadas à sorte desse mundo me incomoda.

É tão fácil viver a minha vida cercada de privilégios e esquecer ou ignorar outras realidades. Eu só queria não ser covarde a ponto de seguir a vida ignorando isso tudo...

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