Quando eu fiz o que toda garota deveria fazer na vida: viajar sozinha! #1

6.3.17

O texto que compartilhei aqui me fez lembrar de uma viagem que fiz sozinha em 2011. Na época, eu estava num período bem estranho da minha vida, havia terminado um namoro longo e me senti perdida, como se eu não soubesse ou não conseguisse fazer mais nada sozinha. Tinha desaprendido a entender e aproveitar minha solidão e solitude. Eu estava triste, machucada, chateada. Precisava fazer alguma coisa pra me reencontrar.

Foi então que tive a ideia sair do Brasil, sozinha, por um tempo. Em 2010 eu havia feito minha primeira viagem internacional, para a Espanha e França, com um grupo muito legal da minha igreja. Foi um rolê missionário e também de passeio. Tivemos experiências especiais e lembrar disso me deu coragem pra, dessa vez, viajar sozinha mesmo.

Como eu gosto muito da língua espanhola e havia tido uma boa experiência na Espanha, pensei em ir para algum lugar que falasse essa língua. E como eu amo a América Latina, comecei a cotar lugares turísticos. Me apaixonei pela Argentina e decidi que queria conhecer Buenos Aires.

Cotei alguns pacotes de viagem e fechei um de 5 dias que incluía passagem ida e volta; translado aeroporto-hotel e hotel-aeroporto; hotel; city tour; tour compras; um ingresso para assistir apresentação de Tango na Casa Carlos Gardel.

Confesso que fechei esse pacote me tremendo de medo de tudo o que estava por vir. Mas eu havia me decidido: precisava daquilo! Eu precisava daquela experiência, sozinha, num lugar completamente desconhecido e mal sabendo falar a língua. Eu precisava aprender a me virar, a andar pela cidade sem a ajuda de ninguém, a curtir minha própria companhia. Eu precisava entender que eu sou a minha melhor companhia. E essa era a hora de aprender isso tudo!

Fui. Fui com o coração apertado, o medo do lado, um nó na garganta. Mas fui...

Fiz minhas malas e separei uma caneta e um bloquinho para fazer uma espécie de diário de bordo. Pra anotar as coisas quando eu me sentisse deslocada e sem saber o que fazer. Bastava sacar meu bloquinho e escrever sobre o momento, o lugar, o que eu estava sentindo... E isso foi muito legal!

O PACOTE DE VIAGEM

Cheguei em Buenos Aires e já tinha alguém me esperando no aeroporto pra me levar pro Hotel. Fiquei hospedada no Dazzler Libertad, localizado no centro da cidade. No dia seguinte teve o city tour, tour compras e a apresentação de Tango. Esses passeios tinham hora marcada, então eu deveria estar sempre pronta, no saguão do hotel, que passaria um ônibus e levaria eu e mais uma turma para os passeios. Tirando as programações desse primeiro dia, tive os demais dias livres pra andar por toda a cidade.

Aproveitei o City Tour pra anotar os pontos turísticos mais legais da cidade pra voltar e conhecer um pouco mais. Foi uma ótima oportunidade de conhecer a cidade num contexto geral e escolher lugares pra voltar.

Esse pacote eu comprei numa agência de turismo. Estava tudo junto no preço. Infelizmente eu não me recordo exatamente o valor que paguei nessa viagem, nem encontrei os tickets (que eu havia guardado), mas mesmo que tivesse encontrado, não faria muito sentido colocar o preço aqui porque já tem 5 anos isso, o preço estaria muito defasado. Nem pra comparar daria, porque o preços das coisas mudaram muuuuuito de lá pra cá.

De qualquer forma, se alguém me pedisse dicas pra viajar sozinha, pela primeira vez, eu recomendaria muito Buenos Aires e Chile também! Pra quem curte cidade grande, né?! Pra quem quer aproveitar um ecoturismo, não sei dizer... E recomendo também pedir dicas na agência de turismo e fechar um pacote assim como eu fiz. Você aproveita o City Tour pra localizar mais ou menos as coisas na cidade. E como é o primeiro passeio, já quebra aquele medo inicial de estar sozinha num lugar desconhecido.

DIÁRIO DE BORDO

Vou colocar aqui uns trechinhos das coisas que escrevi no meu bloquinho. Escrevi MUITA coisa e colocar tudo não faz sentido, vai ficar um baita dum post longo e também tem coisinhas ali que são bem pessoais, heheh...

E como tem muita foto também, vou dividir o post em dois. Neste, vou colocar os dois primeiros dias da viagem.

27/09/11

7h40 – Acordei tem pouco mais de 1 hora. Arrumei as últimas coisas na mala, fechei e torci para não estar esquecendo nada que me seja muito útil. É aquela velha sensação ao fechar a mala. Estou no carro do meu pai, seguindo para o aeroporto. 
(...)
9h15 – Preparando para levantar vôo. Sigo a viagem sem ninguém ao lado. Não quero ler, vou ouvir música. Entre as dezenas de pastas de música que trago no iPod do Rafa, meu amigo (que me emprestou), acho Lilly Allen e Tok Tok Tok trilhas perfeitas para esta viagem. Como estou sozinha, pela primeira vez, tudo é um grande desafio para mim. Mais do que nunca na vida, dependo somente de mim. Isso é um pouco estranho, dá um certo medo, mas ao mesmo tempo é bom. Aquela sensação de crescimento, sabe?!
Sobrevoando Campo Grande e meu coração aperta. Deu aquela sensação que eu chamo de “dor de coração”. Procuro não ficar pensando nas coisas, situações e pessoas que me causam essa dor, mas é um pouco difícil controlar o pensamento nessas horas. Meu desejo nesta viagem é observar as pessoas, os lugares, mas por enquanto estou focada em mim e no meu coração. Deve ser normal...
O Rafa me passou um desafio: conversar pelo menos 10min com no mínimo três pessoas por dia. Aceito o desafio, mesmo acreditando que a princípio não conseguirei. Mas estou aqui para isso, para me desafiar mesmo. (...)
(...)
12h18 – Sentada de frente para o portão de embarque internacional, no aeroporto em São Paulo, minha conexão. Foi tranquilo encontrar onde vou embarcar. Perguntei para vários agentes da TAM. Prefiro ficar sem fones agora, para ouvir as pessoas. (...) Tem duas moças do meu lado e um casal do outro lado. (...) estou com vergonha de tentar uma aproximação, puxar papo e tal. Deixa pra lá!
12h50 – Já encontrei meu portão de embarque. É o 4A. O vôo sai só às 14h20. Todo mundo aqui é “fechado no seu mundinho”. (...)
14h – Já estou acomodada no meu lugar no avião. Tem um casal brasileiro ao meu lado (...) Ainda não fiquei trocando ideia com ninguém. Meio que não rolou oportunidade. Sério, as pessoas são fechadas! (...) Estou com o coração na boca de tanta ansiedade. Quero caminhar muito, sem medo, em Buenos Aires! A cada instante peço a proteção de Deus e O agradeço pela oportunidade. 2h50 de vôo.  
(...)
14h45 – O avião já decolou. Coloquei os fones de ouvido e estava rolando Tok Tok Tok. Estava depressivo, já começou a doer meu coração. Pulei para Ben L’Ocle Soul e agora sim tá massa! (...) O avião mal havia levantado vôo e uma galera já estava dormindo. Inclusive o casal ao lado. Impossível comunicação com eles. Percebi que eles estarão no bairro Recoleta. Podíamos falar sobre Buenos Aires, mas tá difícil. Uma pena! Queria ler o livro que trouxe, “A prova é a Testemunha”, mas estou meio sem paciência. Fechei a janela, está muito sol. (...) Estou ansiosa para chegar logo! 
(...)
16h35 – Nossa... parece que não chega nunca e que a hora não passa! Não sinto sono e já li um bucado do livro. No iPod: Marcy Gray. O avião sacode um pouco... Sinto frio na barriga.
16h45 – Acaba de ser anunciado o procedimento para pouso. Céu claro em Buenos Aires, 23 graus. Me deu mais frio na barriga e o cheiro de cerveja que apareceu aqui me deu um certo incômodo estomacal. É a ansiedade! Marcy Gray ainda no Ipod. (...) To nervosa!!!! É... minhas mãos suam!!! Guardei o iPod porque estou ansiosa!
17h10 – Sobrevoando Buenos Aires. Fico olhando pela janela e me dá uma vontade de chorar. Sei lá!
18h15 – Já instalada no hotel. Bate aquela solidão, né?! Mas tudo bem. (...) A moça da agência aqui já me ligou e explicou as coisas de amanhã, os passeios. (...) Estou pensando em passar uma água no corpo e andar ao redor aqui do hotel para conhecer o lugar. Durante o dia não conversei muito com ninguém, ruim isso, mas vai mudar! (...)
20h20 – Tomei banho. Antes, estava batendo um comodismo... na verdade é medinho de sair do quarto, medo do inesperado, do desconhecido. Mas ao tomar banho vi que esqueci meu desodorante, aí me veio um motivo a mais para sair, pois enquanto vínhamos, reparei numa farmácia na rua de trás. Vou logo, antes que fique tarde, né?!
21h15 – Voltei pro hotel. Andei umas 3, 4 quadras por volta aqui. Está noite, escuro, fiquei receosa de andar mais. As ruas estão movimentadas, muitos jovens porque há muitas universidades por aqui. (...) Passei por vários restaurantes e estava a fim de comer algo. Entrei num lugar que vende salgados e talz. Perguntei para uma senhora como “funciona” os pedidos no balcão e por sorte, a senhora é amiga do cara que estava no balcão. Ele nos deu um pedaço de pizza e uma Pepsi. (...) Fiquei feliz. Minha primeira noite aqui e já ganhei um pedaço de pizza de graça! Diz que foi um “regalo”. (...)
22h43 – Vou dormir. O passeio começa amanhã, às 9h. Quero dormir bem!
23h30 – Não fui dormir ainda.





28/09/11

8h40  Acordei às 7h20, tomei banho e fui tomar café. (...) Poucas pessoas tomando café da manhã, não deu pra conversar com ninguém. (...)
9h35 – Estou no ônibus para o City Tour e em seguida Tour Compras. Tem um casal, uma mulher e um homem aqui. (...)
14h – Fiz o City Tour e agora estou no shopping. Já almocei o almoço que a gente ganhou do City Tour. O restaurante é no Abasto Shopping. Almocei com um casal do nordeste brasileiro, bem simpático e viajante. Me despedi para andar pelo shopping e mais tarde nos veremos de novo para o Tour Compras. (...)
18h – Já fiz o tour e não comprei nada. Achei as coisas bem caras. Até agora só comprei uma caneca e um lenço no Carminito. (...) A guia me perguntou se eu queria esperar o ônibus ou já queria ir, estávamos a poucas quadras do meu hotel. Vim a pé, passei pelo parque, cheguei para me arrumar pro Tango. (...) O transfer passa às 20h.
(...)
22h15 – Sentada perto de brasileiros, pra variar, né!? (...) Já comi (...) meu estômago tá estranho e fiquei preocupada... E já parei de tomar o vinho, certeza que é culpa do vinho que tô assim! Tiraram foto da gente na entrada da Casa de Tango Carlos Gardel e outra foto na mesa. Vieram agora oferecer: 80 pesos cada! Oi? Cerca de 40 reais numa foto? Valeu aí. Ainda bem que nem gostei de mim nas fotos... O show começou! (...) Durante o espetáculo, repetia em minha mente só uma palavra: caramba!!!! Sensacional, fantástico, vale a pena! (...) Das pessoas que conheci (brasileiros até agora) e que já foram em outros espetáculos, disseram que o da Esquina Carlos Gardel é o melhor. Se um dia eu voltar aqui, quero ir novamente num show desses.
0h – Já estou no hotel, extasiada com a beleza do show! No caminho vim conversando com outro casal brasileiro, esse é de Londrina. (...) vou editar as fotos que tirei hoje, postar e dormir. 






















No próximo post coloco as fotos e o diário de bordo dos próximos três dias de sozinha em Buenos Aires! ♥

obs. Fiz essa viagem num período diferente da minha vida. Estava solteira, precisava saber como é ser e estar sozinha. Hoje em dia, casada, não consigo pensar na ideia de ir para um lugar muito legal sem meu marido. Não é dependência não, é que me sinto bastante egoísta em imaginar que vou viajar pra curtir e ele não vai. Hoje não teria graça nenhuma ir sem meu marido, conhecer os lugares e as coisas sem ele do meu lado, feliz e contente em conhecer tudo juntinhos. Recomendo demais uma garota viajar sozinha, mas enquanto solteira, essa fase da vida que a gente deve aproveitar bastante para fazer muitas coisas! Depois que casar, que a dinâmica de vocês seja de conhecerem juntos as coisas, compartilharem juntos os momentos e experiências. ;)

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