A luta diária e a derrota corriqueira contra os fantasmas da vida

4.6.16

Hoje já é junho e eu continuo sentada no sofá com aquela vontade quase que incontrolável de comer brigadeiro. Almoçar hambúrguer. Jantar macarronada. Comer bolo recheado. Tomar sorvete... Em dezembro havia feito o compromisso comigo mesma (e com o marido) de que voltaria a praticar atividade física em janeiro. Parei com meu boxe em junho do ano passado pra viajar e também por conta do tratamento iodoradioativo que fiz em agosto. Depois do tratamento, correria médica. Não voltei. Mas em dezembro garantimos que voltaríamos. Eu para meu boxe, ele pro jiu-jitsu.

Estamos em junho e cada mês que passa é um sentimento de derrota por não ter voltado a fazer meus exercícios. E cada mês que chega é uma sensação nova de "agora vai!". Mas não vai. Um, dois, três, quatro, cinco, seis meses e eu não saí do sofá. Não me mexi. Não me movimentei. Não venci eu mesma. Que derrota... Eu sempre cumpri à risca os compromissos que fiz comigo mesma. Sempre me orgulhei disso! Mas dessa vez... Que fraqueza!

E daí que o mês de maio acabou friozinho. E junho começou gelado... O que dá menos vontade de ir pra uma academia e mais vontade de comer bobeiras. Poderia, agora, fazer uma panelada de brigadeiro ou de pipoca com chocolate branco e leite em pó. E continuar vendo novela, seriado, filme, qualquer programa idiota na TV, tentando ocupar minha mente e ignorar o fato de que me sinto muito mal por simplesmente não conseguir fazer as coisas que deveria. Ou melhor, a coisa, especificamente. O exercício físico. Mas não vou fazer essas gulodices e vou manter o controle sobre minhas vontades. Se não consigo vencer a preguiça de ir pra academia, pelo menos consigo controlar essas vontades malucas e hormonais de comer e comer e comer.

Me sinto fraca e derrotada. Mas não me sinto menos que ninguém. Parabéns pra quem consegue praticar exercícios físicos cedo ou à noite, no frio ou calor, na chuva ou no sol. Parabéns. Tem mesmo minha admiração. Mas não pense que eu me sinto menor e menos por não ser igual. Eu conheço minhas limitações, meus hormônios. Eu reconheço minhas fraquezas e elas me fazem ainda mais fortes.

Vou voltar pra academia. Não fui mês passado, há seis meses tenho adiado essa atitude e tudo bem. Não vou me cobrar a ponto de ficar paranoica ou mergulhada num mar de tristeza. Você aí que também adia, desde janeiro, ou dezembro, ou há um ano... seu plano de ir pra uma academia ou de fazer qualquer outra coisa na vida, calma. Não ache que você é o pior dos seres humanos. O mais fracassado e derrotado. Ok, você pode se sentir mal. Mas não deixe que esse mal ocupe um espaço que não é dele. Pode se sentir mal sim, mas só um pouco, tá?! Só a ponto de você saber que você precisa mesmo tomar uma atitude. Não permita que esse mal te derrube ainda e cada vez mais.

Há quem sofra de problemas hormonais. Há quem não consiga emagrecer por isso. E além de ter que enfrentar seus fantasmas todos os dias, é obrigado a conviver com quem repete que "só não emagrece quem quer", "só não se exercita quem não quer", "só não reduz números na balança que não conhece dieta"... E por aí vai. Frases que vão empurrando a gente cada vez mais pra baixo (e pra longe dessas pessoas). Frases que vão se repetindo na nossa cabeça e fazendo a gente duvidar de nós mesmas, das nossas capacidades, da nossa força.

A gente precisa vencer nossas limitações, mas por nós mesmas e não pra agradar ou provar algo pra alguém. Prefiro me afastar de gente que fala essas coisas. E seguir lutando, perto de quem me ajuda na luta ao invés de criticar minha forma de lutar.

Às vezes é só dificuldade em dar um passo. Às vezes é falta de ânimo gerada pelos hormônios. Às vezes é falta de dinheiro, de tempo. Sei lá qual o seu motivo. Só sei que ele não pode ser alimentado por pessoas que não te conhecem. Nem por você mesma! Não alimente e não acredite que esses motivos controlam suas decisões. E quem diz isso sou eu, a pessoa que adia a ida à academia a cinco meses. Eu mesma, que luto diariamente contra meus fantasmas. E tenho sido derrotada. Engolida pela preguiça e pelas mil desculpas que minha cabeça cria pra me convencer.

Mas olha, a gente pode perder. Não há vergonha na derrota. Vergonha é se entregar. Deixar de lutar. Abandonar tudo... Isso eu ainda não fiz, e nem pretendo. Sigo lutando até o dia em que vou entrar na academia e destrancar minha matrícula. E vencer esse capítulo da vida. Depois desse, há muitos outros. E isso é a vida... a gente vai vencendo capítulos, um por vez...

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