A Bolívia é do lado de casa

29.4.16

Como expliquei no post de apresentação do blog, minha intenção por aqui é mostrar uma vida normal. Minha vida normal. De quem não é fashionista, não sabe fazer maquiagem, não viaja com frequência, não frequenta lugares caros e badalados.

Por mais que algumas pessoas imaginem que a vida de músico (em especial cristão) é glamourosa, a realidade não é exatamente assim. Não de todos, pelo menos. Aqui em casa a gente vive mês a mês na dependência de Deus. Nem me lembro a última vez em que compramos roupas e sapatos ou nos demos ao luxo de ir em algum restaurante conceituado. E nessa realidade a gente vai encontrando rolês baratos, gostosos e divertidíssimos! E é justamente isso que eu quero compartilhar com vocês: rolês ricos em cultura, mas sem gastar fortunas.

Dessa vez, trago a Feira Boliviana na Praça Kantuta, um pedacinho da Bolívia em São Paulo.

Eu e o marido temos muita vontade de conhecer todos os países da América Latina. Muita gente tem um certo preconceito com nossos "hermanos" e nunca incluem países como Paraguai e Bolívia, por exemplo, em seus roteiros. Já lemos muito e conversamos com amigos que fizeram esses passeios e fomos ficando cada vez mais curiosos, porque nossos vizinhos têm cultura riquíssima e pontos turísticos de cair o queixo!

Mas enquanto a gente não consegue sair de São Paulo para turistar (afinal, ultimamente não tá fácil pra ninguém, hahah...) a gente turista nossa cidade mesmo. E São Paulo tem muita coisa a oferecer! ♥

A FEIRA

A Feira Boliviana não é muito grande, mas as barracas são bem dispostas e há apresentações sazonais. No dia em que fomos, vimos um grupo de bolivianos dançando entusiasmados e felizes. Ficamos encantados!

Lá, nós parecíamos estrangeiros. Tanto os frequentadores quanto os vendedores na feira são típicos bolivianos: de pele morena, cabelos pretos e lisos, olhos puxados e rosto arredondado. A impressão que tivemos é que essa feira é um alento aos bolivianos que saíram de seu país e uma vez por semana reencontram suas raízes e seus irmãos. Poucos ali falam português. É, de fato, uma experiência cultural.

As barracas vendem produtos industrializados do país, lembrancinhas, roupas, perfumaria, tecidos e bordados, instrumentos de sopro, docinhos como balas, chicletes e chocolates, bebidas e comidas típicas.


COMIDA

Chegamos e fomos almoçar. Queríamos um almoço típico deles. Escolhemos uma das barracas que servem pratos e sentamos. Aliás, a maioria dessas barracas têm mesas e cadeiras pra gente comer confortavelmente.

Nosso almoço foi com carne. Um almoço super simples e de tempero bem leve: arroz, bife, batata frita e saladinha. Só! O prato é R$ 14,00 e comemos em três: eu, marido e minha enteada. Comemos pouco para conseguirmos experimentar outras coisas, mas mesmo dividindo um prato, saí satisfeita. Além desse, há outros pratos com peixe ou frango. Tem também uma sopa de milho que parece bem popular.

Depois de comermos, vimos uma barraca de comida peruana, que tem pratos mais elaborados que os bolivianos. O rapaz do lugar em que almoçamos e uma outra moça boliviana falou muito bem do ceviche dessa barraca peruana. Fica para uma próxima.

De bebida tomamos o refrigerante deles, Inka Kola, que é bem doce e gaseificada. O gosto parece de tuti-fruti. Duas Inka Kola e uma água deu R$18,00. Achei um pouco caro essas bebidas. Mas vale a experiência.

Estava ainda com muita curiosidade de comer a famosa "salteña" e tomar chincha e mocochinchi. Acabei não provando a chincha, que é uma bebida fermentada a base de milho e tem uma pequena porcentagem de álcool. Mas a mocochinchi, que aparentemente é menos diferente, eu bebi. Basicamente pêssego seco, canela e açúcar. Tem cor de chá mate, mas não tem nada a ver com chá. É uma espécie de suco, geladinho, e doce, muuito doce! No fundo vem um pêssego seco que a gente pode (e deve) comer. Nós bebemos um copo e saímos, sem comer o pêssego. Nisso, o rapaz da barraca chamou a gente e explicou que era pra comer. Confesso que a fruta fica com um aspecto bem feio (como dá pra ver na foto logo abaixo). Mas venci o preconceito e comi. O gosto é de pêssego mesmo.

Com mocochinchi, comi a saltenha e me deliciei. Em Campo Grande - minha cidade natal - tem saltenha, mas essa é diferente. É típica. A massa tem um gosto muito bom e o recheio é bem líquido, tanto que te servem com uma colher. Você dá umas mordidas com cuidado e vai comendo o recheio com a colher. Peguei uma de carne seca e estava muito gostosa! Não aguentei comer mais, mas fiquei na curiosidade de provar as doces e outros recheios também! Fica aí mais um motivo para voltar. E com certeza voltaremos!

Uma saltenha e um copo de mocochinchi deu R$7,50. Achei super em conta, vale cada centavo.


ADULTOS, CRIANÇAS E CULTURA

Uma coisa que achei bastante interessante foram as barracas de corte de cabelo. Muita gente, homens, mulheres e crianças, cortando o cabelo ali mesmo. Uma espécia de salão itinerante.

Tem também um espaço para crianças brincarem, com pula-pula, escorregador inflável. O ingresso para cada brinquedo é R$3,00 e a criança pode brincar, com outras, por 5 minutos. Há ainda algumas barraquinhas de sorvete e raspadinha, que fiquei com muita vontade, mas já estava bem satisfeita. Ah! Numa das barracas de doces e balas encontrei esses chicletes ácidos que eu adoro. Comprava muito quando era mais nova. Ácidos e apimentados. São ruins, mas tão gostosos! Hahaha...

E pra completar tudo isso, tem os muros do lugar onde a feira está. Os muros falam. E falam em espanhol também. Muita expressão artística com temática boliviana. Fiquei completamente encantada!

 

EXPERIÊNCIA

Ir nessa Feira Boliviana é vencer preconceitos e olhar para os bolivianos como nossos irmãos. Ao entrar naquele pedacinho da cultura deles, me senti muito mal por saber que há muitos brasileiros que os exploram ou que ridicularizam esse povo sofrido, mas tão orgulhoso de suas raízes. Me senti mal por saber que um dia eu mesma tive preconceitos, que olhava para eles com superioridade. Quanta arrogância! Graças a Deus me despi desses preconceitos e fico feliz por enxergá-los, agora, como irmãos. Do mesmo sangue latino. Do mesmo calor humano. Da alegria que corre em nossas veias mesmo quando as coisas não vão muito bem.

Que bom que São Paulo me oferece essas oportunidades de conhecer culturas diferentes e me desfazer de preconceitos sem sair da minha cidade.


LOCALIZAÇÃO

Se você ter essa experiência também, se liga:

Feira Boliviana
Dia: Todos os domingos
Hora: 11h às 19h
Local: Praça Kantuta, Rua Pedro Vicente, bairro Pari, São Paulo
Metrô: estação Armênia, saída para Rua Pedro Vicente

você também pode gostar:

0 comentários